Primeiro-Ministro inaugura em Mehara monumentos que assinalam encontro histórico entre a Resistência e Monsenhor Martinho da Costa Lopes
O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, inaugurou, no dia 22 de setembro de 2026, no suco de Mehara, Posto Administrativo de Tutuala, Municipio de Lautém, o Monumento a Monsenhor Martinho da Costa Lopes, em homenagem ao antigo Administrador Apostólico de Díli e ao seu contributo para o povo timorense durante o período da ocupação. No mesmo dia, foi também inaugurado, em Poros, um monumento em memória do guerrilheiro Tomás Fernandes “Malik”.

A cerimónia em Mehara incluiu a bênção do monumento por Sua Eminência o Cardeal Dom Virgílio do Carmo da Silva, Arcebispo Metropolitano de Díli, e por Dom Leandro Maria Alves, Bispo da Diocese de Baucau, bem como uma Missa de Ação de Graças presidida por Dom Leandro Maria Alves.
Participaram nas cerimónias membros do Governo, veteranos da Resistência, representantes da Igreja Católica e de instituições públicas, autoridades municipais e locais, familiares, estudantes e membros das comunidades de Lautém.
O monumento assinala a ligação de Mehara a um episódio da história da Resistência timorense ocorrido há 44 anos, quando Xanana Gusmão se encontrou clandestinamente com Monsenhor Martinho da Costa Lopes, num período de reorganização da Resistência na Ponta Leste.
Durante a sua deslocação a Lautém, iniciada no dia 20 de setembro, o Primeiro-Ministro percorreu vários locais associados à Resistência e partilhou com jornalistas, veteranos e membros das comunidades as suas memórias sobre o processo de reorganização da luta após o agravamento das operações militares indonésias no final da década de 1970.
O Chefe do Governo recordou o percurso entre o Matebian e a Ponta Leste, a reorganização das forças da Resistência e a criação e consolidação de redes de apoio junto da população. Referiu também o período que passou na região de Oi, onde estudou experiências de guerrilha e analisou as dificuldades enfrentadas pela Resistência, local que descreveu como uma “universidade guerrilha”.
Este processo conduziu à procura de contactos com diferentes setores da sociedade timorense, incluindo a Igreja Católica. Foi neste contexto que se realizou, a 22 de setembro de 1982, o encontro clandestino entre Xanana Gusmão e Monsenhor Martinho da Costa Lopes, na casa do Liurai Miguel, em Mehara.
Segundo o relato do Primeiro-Ministro, o encontro permitiu explicar a Monsenhor Martinho da Costa Lopes as mudanças então introduzidas na orientação da Resistência, com maior ênfase na unidade nacional e na luta pela autodeterminação, para além das anteriores divisões de natureza político-ideológica.
Xanana Gusmão recordou ainda que foram entregues a Monsenhor Martinho documentos com informações sobre a situação no território e a reorganização da Resistência, destinados a contribuir para dar conhecimento da situação de Timor-Leste no exterior.
O encontro ocorreu num contexto de forte controlo militar e obrigou à adoção de medidas de segurança. Tomás Fernandes, conhecido pelo nome de guerra “Malik”, nascido a 14 de setembro de 1960, integrava o dispositivo de segurança do encontro e morreu, a 22 de setembro de 1982, após ter sido atingido pelas forças militares indonésias.
Em sua memória, o Primeiro-Ministro inaugurou também, no dia 22 de setembro, em Poros, suco de Mehara, o Monumento a Tomás Fernandes “Malik”. O monumento assinala o seu papel na proteção do encontro clandestino entre a liderança da Resistência e Monsenhor Martinho da Costa Lopes.
Nos dias que antecederam as inaugurações, o Primeiro-Ministro visitou igualmente outros locais históricos de Lautém associados à reorganização da Resistência. No dia 21 de setembro, deslocou-se a Paichau, na aldeia de Malahara, suco de Maupitine, acompanhado por antigos combatentes, para recordar o percurso das forças da Resistência na Ponta Leste e o apoio prestado pelas populações durante esse período.
Monsenhor Martinho da Costa Lopes exerceu as funções de Administrador Apostólico de Díli entre 1977 e 1983 e destacou-se, durante o período da ocupação, pela denúncia da situação vivida pela população timorense e pela defesa da sua dignidade e dos seus direitos.
A instalação dos monumentos em Mehara assinala os acontecimentos ocorridos naquele local e contribui para preservar a memória das pessoas e dos episódios que fizeram parte da história da Resistência e da luta do povo timorense pela independência.






































