Primeiro-Ministro apresenta em Díli "Mauberíadas", mais de 50 anos após a sua primeira publicação

Seg. 21 de setembro de 2026, 15:27h
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O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, participou, no dia 18 de setembro de 2026, na Embaixada de Portugal em Díli, na apresentação de Mauberíadas, poema épico que escreveu em 1975 e que retrata a experiência, a identidade e a realidade do povo timorense num período marcante da história nacional. 799948290_1066512859323920_7321319150925667925_n 815018532_1894284458664728_5286017678451340496_n 814876753_1457579083086960_1403915915992325246_n 816523371_1795977201526843_6597572260513086788_n 793324321_2183984062179452_3807991018020620563_n 796280476_3017284785270477_2109638367880210544_n 814660975_2696348964117856_831902380887628873_n

A cerimónia contou com a presença do Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, de membros do Governo, representantes do corpo diplomático, instituições e parceiros, escritores, poetas e outros convidados.

Mauberíadas foi escrito por José Alexandre Gusmão, nome de nascimento do Primeiro-Ministro, quando era ainda um jovem jornalista e colaborava regularmente com o semanário A Voz de Timor. O poema foi apresentado ao Concurso Literário de 1975, promovido pela então Administração Portuguesa, através do Centro de Informação e Turismo, sob o tema “Cultura é a Liberdade do Povo”.

O concurso, lançado a 24 de fevereiro de 1975, tinha entre os seus objetivos a “afirmação de uma autêntica cultura timorense” e “contribuir para o estudo e publicação da História de Timor”. José Alexandre Gusmão recebeu o primeiro prémio pelo poema Mauberíadas, posteriormente publicado em A Voz de Timor, a 17 de maio daquele ano.

Na obra, Xanana Gusmão estabelece uma ligação com a tradição poética de língua portuguesa, nomeadamente com Os Lusíadas, para refletir sobre Timor, o seu povo, o sofrimento, a esperança, a identidade e o destino da nação.

Durante a apresentação, o Primeiro-Ministro recordou que, nessa altura, Timor-Leste entrava num período de grandes transformações, e salientou a importância da palavra “Maubere” para a identidade e dignidade do povo timorense.

“Timor-Leste atravessou um longo período histórico, que incluiu conflito, sofrimento, ocupação, resistência e luta pela independência. Neste processo, a cultura, a língua, a poesia e a história ajudaram o povo a não esquecer a sua identidade e o percurso histórico que atravessou”, afirmou Kay Rala Xanana Gusmão.

O Chefe do Governo destacou ainda a relação entre o desenvolvimento nacional e a preservação da sua memória e identidade.

“Uma nação não pode ser construída apenas com estradas, edifícios e infraestruturas. Uma nação tem também de ser construída com memória, cultura, educação e capacidade própria de pensar”, afirmou.

O Primeiro-Ministro agradeceu a todos os que contribuíram para a publicação e divulgação da obra e incentivou os jovens timorenses a continuar a ler, escrever e aprofundar o conhecimento sobre a história e a cultura do país.

A atual edição de Mauberíadas foi lançada a 17 de outubro de 2024, no auditório da sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, durante a visita oficial do Primeiro-Ministro a Portugal.

Na cerimónia em Díli, o Embaixador Duarte Bué Alves destacou o contributo da literatura para a preservação da memória histórica e para os laços culturais e linguísticos entre Timor-Leste e Portugal.

“Mauberíadas leva os leitores de volta a um momento importante da história de Timor-Leste, quando o autor era ainda jovem e escreveu esta obra em 1975”, afirmou o diplomata.

O Diretor-Geral da Plural Editores Timor-Leste, Hélder Carvalho, referiu o trabalho desenvolvido pela instituição no país ao longo dos últimos 12 anos e a cooperação mantida com instituições timorenses para a promoção da leitura e da cultura escrita.

“Esta experiência reforça a necessidade de uma cooperação estreita entre instituições públicas e privadas para promover a leitura, o conhecimento e a cultura escrita”, afirmou.

A apresentação de Mauberíadas em Díli, mais de cinco décadas depois da sua primeira publicação, permitiu revisitar o contexto em que o poema foi escrito e aproximar a obra de novas gerações de leitores, através de um texto ligado à memória histórica e à identidade de Timor-Leste.

 

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