Chefe de Governo defende maior investimento na paz e na cooperação internacional em seminário do g7+ e IPDAL

Seg. 29 de junho de 2026, 16:08h
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O Primeiro-Ministro e Pessoa Eminente do g7+, Kay Rala Xanana Gusmão, apelou, no dia 24 de junho de 2026, em Lisboa, a um reforço do investimento internacional na paz, na cooperação e na solidariedade global, durante a sua intervenção principal no seminário internacional “O impacto da guerra no Médio Oriente nos Estados afetados por conflitos”, organizado pelo Secretariado do g7+ em parceria com o Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL). 728254770_891429660680030_8293672965249199563_n 730748523_891429700680026_1145418682280554370_n 728833621_891429764013353_440996778191252703_n 728286712_891429704013359_1810293924400962071_n 730498112_891430084013321_91973067096376592_n 728212981_891430164013313_2575620616642758854_n 729375290_891430457346617_7339190066839361288_n 729161162_891435947346068_3595515884615091650_n

O seminário reuniu diplomatas, académicos, decisores políticos e representantes da comunidade internacional para analisar as consequências dos conflitos contemporâneos nos Estados afetados por conflitos e em situações de fragilidade. A sessão foi aberta pelo Secretário-Geral do g7+, Hélder da Costa, seguindo-se a intervenção do Primeiro-Ministro de Timor-Leste e um debate moderado pelo IPDAL.

Na sua intervenção, Kay Rala Xanana Gusmão alertou que os conflitos e as tensões geopolíticas produzem impactos que ultrapassam as regiões onde ocorrem, afetando de forma desproporcionada os países mais vulneráveis através do aumento dos preços da energia, da interrupção das cadeias de abastecimento, da inflação e da redução da atenção e dos recursos internacionais destinados ao desenvolvimento.

“Os povos dos países vulneráveis pagam muitas vezes um preço elevado por conflitos que não iniciaram nem influenciaram.”

O Primeiro-Ministro manifestou igualmente solidariedade para com as populações afetadas pelo conflito no Médio Oriente, incluindo o povo palestiniano e os países da região do Golfo que enfrentam as consequências da escalada das tensões.

Durante o discurso, defendeu que o agravamento da rivalidade geopolítica entre grandes potências está a desviar recursos financeiros e atenção política de desafios globais como as alterações climáticas, a segurança alimentar, a saúde pública e a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“Os recursos que deveriam ser utilizados para construir a paz, fortalecer instituições e educar as crianças estão agora a ser canalizados para despesas militares. O mundo tornou-se mais eficiente a financiar a guerra do que a investir na paz.”

O Chefe do Governo destacou ainda o compromisso de Timor-Leste com a cooperação regional e multilateral, através da sua participação na ASEAN, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e no g7+, considerando que estas organizações demonstram que a estabilidade e a prosperidade podem ser alcançadas através da parceria, do diálogo e da solidariedade entre os Estados.

Kay Rala Xanana Gusmão partilhou também a experiência de Timor-Leste na reconciliação nacional após 24 anos de ocupação, sublinhando que a construção da paz exige coragem, visão de longo prazo e compromisso com a coexistência.

Na conclusão da sua intervenção, apelou ao reforço da cultura de diálogo e à mobilização urgente de mais recursos para a promoção da paz.

“Ninguém está seguro enquanto os outros não estiverem seguros. A paz num lugar depende da paz noutro.”

Participaram igualmente no seminário o Secretário-Geral do g7+, Hélder da Costa, embaixadores dos países da CPLP, o Ministro da Justiça, Sérgio de Jesus Fernandes da Costa Hornai, a Ministra da Educação, Dulce de Jesus Soares, estudantes timorenses em Portugal e outros convidados.

O encontro reafirmou o papel do g7+ como plataforma de solidariedade entre Estados afetados por conflitos e destacou a importância da cooperação multilateral na promoção da paz, da resiliência e do desenvolvimento sustentável.

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