Participação de Timor-Leste na AGNU destaca paz, cooperação multilateral e desenvolvimento sustentável
O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito dos Santos Freitas, prosseguiu, nos dias 23 e 24 de setembro de 2026, em Nova Iorque, a agenda diplomática de Timor-Leste no âmbito da Semana de Alto Nível da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU 81), com a participação em reuniões ministeriais e de alto nível e a realização de encontros bilaterais. O Ministro acompanhou também o Presidente da República, José Ramos-Horta, na apresentação da declaração nacional de Timor-Leste perante a Assembleia Geral.

No dia 24 de setembro, o Ministro Bendito Freitas participou na Reunião Ministerial de Alto Nível da Aliança Global para a Implementação da Solução de Dois Estados, onde reafirmou o apoio de Timor-Leste ao direito do povo palestiniano à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado palestiniano viável e soberano, coexistindo com Israel em paz e segurança.
Na sua intervenção, destacou a proteção dos civis, o acesso humanitário, o fortalecimento das instituições palestinianas e o respeito pelo direito internacional. Defendeu também que uma paz duradoura deve salvaguardar os direitos, a segurança e a dignidade de palestinianos e israelitas.
Ainda no dia 24, o Ministro participou na Cimeira de Alto Nível do g7+, dedicada à definição de mecanismos concretos para promover a estabilidade, a autossuficiência e a resiliência. Bendito Freitas apresentou três prioridades: a criação de um mecanismo estruturado de intercâmbio entre pares para o diálogo e a mediação; o reforço do Centro Consultivo de Resposta Rápida; e uma maior utilização da presença diplomática do g7+ para promover posições coordenadas junto das instituições multilaterais.
O Ministro participou igualmente na Reunião Ministerial Anual dos Ministros dos Negócios Estrangeiros dos Países Menos Desenvolvidos, dedicada ao tema “Construir Países Menos Desenvolvidos Resilientes e Conectados: Acelerar a Implementação do Programa de Ação de Doha através de Parcerias”.
Na sua intervenção, chamou a atenção para os efeitos das alterações climáticas, a vulnerabilidade da dívida e as dificuldades de financiamento enfrentadas pelos Países Menos Desenvolvidos. Defendeu um reforço do financiamento climático previsível e destacou três áreas das reformas estratégicas de Timor-Leste alinhadas com o Programa de Ação de Doha: capital humano, diversificação económica e conectividade. Referiu, neste contexto, os investimentos na educação e saúde, a iniciativa de Economia Azul e o reforço da conectividade digital através do cabo submarino internacional de fibra ótica.
No âmbito da agenda de Timor-Leste com os seus parceiros regionais, Bendito Freitas participou também na Reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros ASEAN–Conselho de Cooperação do Golfo. O Ministro defendeu o reforço da cooperação nas áreas do comércio e investimento, energia, infraestruturas sustentáveis, conectividade digital, segurança alimentar e hídrica, turismo, educação e desenvolvimento do capital humano, e manifestou apoio aos trabalhos em curso relativos a um possível Acordo de Comércio Livre ASEAN–Conselho de Cooperação do Golfo.
A agenda bilateral incluiu uma reunião com o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel. Os dois Ministros avaliaram o desenvolvimento das relações entre Timor-Leste e Portugal e os avanços registados na sequência da recente reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realizada em Díli. Abordaram ainda a coordenação bilateral no quadro da CPLP e nos fóruns multilaterais, incluindo durante o próximo mandato de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas, com início em janeiro de 2027.
Durante a Semana de Alto Nível, Bendito Freitas realizou ainda encontros bilaterais com responsáveis de vários países. Entre estes, reuniu-se com a Vice-Primeira-Ministra e Ministra dos Negócios Estrangeiros, Ambiente e Cultura do Liechtenstein, Sabine Monauni, num encontro dedicado ao multilateralismo, ao direito internacional e ao papel das instituições multilaterais na proteção dos interesses dos pequenos Estados.
Estas atividades deram continuidade à agenda iniciada nos primeiros dias da Semana de Alto Nível, durante os quais o Ministro participou na Cimeira dos Parceiros para o Multilateralismo e num debate sobre o Direito do Mar, e manteve encontros bilaterais com os Ministros dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia e das Maldivas.
No quadro da participação da delegação nacional, o Presidente da República, José Ramos-Horta, apresentou, no dia 23 de setembro, a declaração nacional de Timor-Leste perante a 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, acompanhado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito dos Santos Freitas, e pelos restantes membros da delegação.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado abordou os atuais conflitos e crises humanitárias e defendeu o diálogo e a diplomacia como instrumentos para a promoção da paz. Relativamente à situação em Gaza e na Cisjordânia, reafirmou o apoio de Timor-Leste à Solução de Dois Estados, que considerou a única solução viável para permitir que israelitas e palestinianos vivam em paz.
O Presidente José Ramos-Horta defendeu também o reforço do sistema multilateral e uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas que assegure maior representação aos países em desenvolvimento e às regiões historicamente sub-representadas. No domínio das alterações climáticas, reafirmou os princípios da justiça climática e defendeu maior acesso a financiamento, apoio à adaptação, transferência de tecnologia e reforço de capacidades para os países mais vulneráveis.
O Chefe de Estado abordou ainda os desafios associados à inteligência artificial e às tecnologias emergentes, defendendo a participação ativa dos países em desenvolvimento na sua governação e desenvolvimento. Referiu também a adesão de Timor-Leste à ASEAN e o compromisso nacional em contribuir para uma ASEAN unida, centrada nas pessoas e resiliente, mantendo relações equilibradas e construtivas com os seus vizinhos, as grandes potências e os parceiros de desenvolvimento.






































