Governo reforça prevenção e controlo da brucelose com base nos resultados do projeto BRUCE-TL

Qui. 17 de setembro de 2026, 09:20h
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O Vice-Ministro para o Fortalecimento Institucional da Saúde, José dos Reis Magno, e o Secretário de Estado da Pecuária, José Vieira de Araújo, participaram, no dia 15 de setembro de 2026, em Díli, no workshop final do projeto BRUCE-TL, dedicado à apresentação dos resultados da investigação sobre a brucelose e ao reforço da colaboração entre os setores da saúde humana e animal em Timor-Leste. 795809381_1790008189332566_2848646427169941727_n 811994099_1380844988436519_3568992440023156091_n 810931269_1380846188436399_6275536853335223237_n 810962276_1380848851769466_6228464555162892484_n 798095849_1043128768725792_1074028317672315075_n 793380442_1361719027015782_7796436011581926850_n 796332336_1790006532666065_5360433038339717344_n 796332336_1790006629332722_2574016111221824782_n 795582796_1790007112666007_3119106030314358394_n 809656959_1790007662665952_2561680088019129231_n

O workshop, subordinado ao tema “Evidência, Impacto e Reforço da Colaboração Uma Só Saúde em Timor-Leste”, reuniu representantes do Ministério da Saúde, do Ministério da Agricultura, Pecuária, Pesca e Florestas, da Menzies School of Health Research, da Autoridade Municipal de Bobonaro, profissionais de saúde humana e animal, investigadores, parceiros e outras entidades relevantes.

Na abertura do workshop, o Vice-Ministro José dos Reis Magno afirmou que “a realização deste workshop demonstra que, para responder aos desafios da saúde pública e da saúde animal, precisamos de cooperação, diálogo, evidência científica e responsabilidade conjunta”.

A brucelose é uma doença infeciosa causada por bactérias do género Brucella e uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida dos animais às pessoas. Nos bovinos, afeta sobretudo o sistema reprodutivo e pode provocar abortos, infertilidade, retenção da placenta, nascimento de animais debilitados e redução da produção.

Durante o workshop foram apresentados dados da Direção Nacional de Veterinária relativos a testes realizados em 2023 a 1.046 bovinos em áreas dos municípios de Bobonaro e Covalima e da Região Administrativa Especial de Oe-Cusse Ambeno, dos quais 505 foram identificados como positivos para brucelose. Estes dados referem-se aos animais e áreas abrangidos pela testagem e não constituem uma estimativa da prevalência da doença em toda a população bovina nacional.

O Vice-Ministro salientou que “este número demonstra que, em algumas áreas, a brucelose pode constituir um problema para a saúde animal e para a produção pecuária” e acrescentou que “as evidências disponíveis mostram que a brucelose está presente em diferentes áreas e que é necessária uma vigilância contínua para conhecermos melhor a distribuição e a evolução da doença no nosso país”.

José dos Reis Magno defendeu, por isso, a continuação da investigação e da vigilância nos setores da saúde humana e animal, de modo a obter dados mais abrangentes sobre a dimensão da doença em Timor-Leste.

O projeto BRUCE-TL, implementado pela Menzies School of Health Research em colaboração com o Ministério da Saúde e o Ministério da Agricultura, Pecuária, Pesca e Florestas, procura identificar os fatores de risco associados à transmissão da brucelose e apoiar o desenvolvimento e aplicação de medidas de controlo baseadas em evidência, através de uma abordagem participativa e do princípio “Uma Só Saúde” (One Health).

No âmbito do projeto, um estudo realizado em Maliana, que envolveu 253 criadores de bovinos e 22 profissionais de saúde animal, identificou um nível ainda reduzido de conhecimento sobre a brucelose entre os criadores e várias práticas suscetíveis de aumentar a exposição à doença.

O Vice-Ministro afirmou que estes resultados “demonstram que a nossa resposta tem de considerar as práticas reais das comunidades e não apenas a teoria” e defendeu o reforço da vigilância e do diagnóstico, da informação aos criadores sobre os riscos associados aos abortos, placentas e outros materiais potencialmente contaminados, das práticas seguras de manipulação dos animais, da segurança alimentar e da vacinação e outras medidas de controlo baseadas em evidência científica.

“Prevenir a brucelose é uma responsabilidade de todos. Temos evidências de que esta doença afeta animais no nosso território, incluindo em Bobonaro, Covalima e Oe-Cusse”, afirmou José dos Reis Magno.

O Secretário de Estado da Pecuária, José Vieira de Araújo, destacou igualmente a necessidade de uma resposta articulada entre os diferentes setores e afirmou que a brucelose “não é apenas um problema de saúde animal, mas tem também uma ligação direta à saúde pública, à produtividade pecuária e ao bem-estar das comunidades”. Defendeu, por isso, o envolvimento das diferentes instituições e a utilização da evidência científica como base para a tomada de decisões.

José Vieira de Araújo destacou também a cooperação com a Menzies School of Health Research e o contributo dos serviços veterinários, investigadores, estudantes e comunidades para a implementação do BRUCE-TL, tendo defendido a continuação desta colaboração para reforçar as capacidades nacionais e apoiar o desenvolvimento de políticas e programas para o setor pecuário baseados em evidência.

A abordagem “Uma Só Saúde” procura, neste contexto, articular os setores da saúde humana, saúde animal e ambiente. A prevenção e o controlo da brucelose envolvem, por isso, os serviços veterinários e de saúde, autoridades nacionais e municipais, investigadores, laboratórios, criadores de animais, comunidades e parceiros de desenvolvimento.

A investigação desenvolvida pelo BRUCE-TL já começou a traduzir-se em medidas no terreno. A 4 de setembro, a Secretaria de Estado da Pecuária, em parceria com a Menzies School of Health Research, a Direção Nacional de Veterinária e com a participação de estudantes da área de Saúde Animal da Universidade Nacional Timor Lorosa’e, lançou um programa de vacinação contra a brucelose bovina na aldeia de Genuhan, suco de Lahomea, posto administrativo de Maliana, no município de Bobonaro.

O programa de vacinação resulta das evidências e recomendações técnicas produzidas através do BRUCE-TL e inclui ações de identificação, monitorização e avaliação dos animais. O Departamento de Agricultura, Pescas e Florestas da Austrália apoia esta iniciativa através do financiamento para a aquisição de vacinas contra a brucelose, identificadores auriculares para os animais, equipamentos técnicos, preparação de instalações para o tratamento dos animais e formação das equipas envolvidas.

A prevenção da transmissão às pessoas passa também pela adoção de cuidados durante o contacto com animais. A população, especialmente criadores, trabalhadores pecuários e outras pessoas que manipulam bovinos, deve evitar o contacto direto e sem proteção com placentas, fetos, sangue, secreções e outros materiais provenientes de partos ou abortos, utilizar proteção adequada durante a sua manipulação e assegurar a eliminação segura destes materiais.

É igualmente recomendado evitar o consumo de leite não pasteurizado e assegurar que a carne e outros produtos de origem animal são devidamente cozinhados antes do consumo. As pessoas que tenham estado expostas a animais ou materiais potencialmente infetados e apresentem febre, suores, cansaço, fraqueza ou dores musculares e articulares devem procurar os serviços de saúde e informar os profissionais sobre o contacto com animais.

No âmbito do workshop, a Secretaria de Estado da Pecuária e a Menzies School of Health Research assinaram um Memorando de Entendimento para reforçar a cooperação e colaboração entre as duas instituições. O acordo prevê o reforço da partilha de conhecimentos e evidência científica, o desenvolvimento de capacidades técnicas e o apoio à implementação de programas de saúde animal em Timor-Leste.

A assinatura do Memorando dá continuidade à colaboração desenvolvida no âmbito do BRUCE-TL e estabelece uma base para a cooperação entre a Secretaria de Estado da Pecuária e a Menzies nas áreas relacionadas com a investigação, capacitação técnica e saúde animal.

O workshop final permitiu avaliar os resultados do BRUCE-TL, partilhar as evidências e aprendizagens produzidas durante a implementação do projeto e analisar a continuação das medidas de vigilância, prevenção e controlo da brucelose através da colaboração entre os setores da saúde humana e animal.

 

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