Espírito de “Maubai” inspira defesa da soberania e unidade nacional
O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, afirmou que o espírito de “Maubai” continua a representar a determinação do povo timorense em prosseguir a luta pela independência, liberdade e dignidade, durante uma cerimónia realizada no âmbito das celebrações do 24.º aniversário da Restauração da Independência, realizada no dia 18 de maio de 2026, no Arquivo & Museu da Resistência Timorense (AMRT), em Díli.
Na cerimónia, o Chefe do Governo salientou que o encontro decorreu “nesta ‘Uma Lulik’ [Casa Sagrada] consagrada aos heróis e à memória nacional”, para assinalar os 24 anos da restauração da independência da República Democrática de Timor-Leste.

O Primeiro-Ministro recordou a Conferência Nacional realizada a 3 de março de 1981, na em Maubai, no município de Viqueque, organizada pelo então Comandante-Chefe das FALINTIL, Kay Rala Xanana Gusmão, para reorganizar a resistência timorense e fortalecer a luta de libertação nacional. Segundo afirmou, perante o risco de desaparecimento da resistência, os timorenses, em particular os combatentes, compreenderam que a sobrevivência de Timor-Leste dependia de colocar a unidade nacional acima de todas as divisões.
“Maubai não foi apenas uma conferência de reorganização militar. Foi um renascimento nacional”, declarou, acrescentando que a resistência “deixou de pertencer apenas a um grupo ou partido e passou a pertencer definitivamente a todo o povo timorense”.
Kay Rala Xanana Gusmão sublinhou que o espírito de “Maubai” continua vivo na nação timorense e permanece como inspiração para a defesa da soberania nacional. O Chefe do Governo afirmou ainda que a luta pela independência não terminou em 2002 e continua através da consolidação da democracia, do fortalecimento das instituições do Estado, da preservação da memória histórica e da defesa da soberania nacional.
Xanana Gusmão afirmou ainda que “Maubai” ensinou aos timorenses que a unidade é mais forte do que a divisão e que um povo organizado consegue sobreviver mesmo nos períodos mais difíceis da sua história. Sublinhou igualmente que a resistência não foi apenas militar, mas também moral, espiritual e humana.
Durante a intervenção, o Primeiro-Ministro destacou também a ligação entre o espírito de “Maubai” e a luta pela delimitação integral das fronteiras terrestres e marítimas de Timor-Leste, bem como pela afirmação plena do Estado de direito democrático e da soberania nacional.
“O ‘3 de março’ permanece como uma fonte de inspiração para a nossa soberania plena e inquestionável”, declarou.
O Chefe do Governo reconheceu também o papel do Arquivo & Museu da Resistência Timorense na preservação da memória nacional, considerando que o AMRT não preserva apenas documentos, fotografias e objetos históricos, mas também a própria memória viva da resistência timorense.
Na ocasião, o Primeiro-Ministro salientou a necessidade de continuar a recolher testemunhos de veteranos e documentação histórica, alertando para o risco de perda irreversível de memórias da luta de libertação nacional. Referiu ainda os trabalhos em curso para identificação e preservação de abrigos e locais históricos da resistência, bem como a criação de novos espaços museológicos e memoriais em várias regiões do país, incluindo Aileu, Bunária, Oi e Paitchau.
O Chefe do Governo destacou igualmente o papel da Igreja Católica durante o período da ocupação indonésia, recordando o seu contributo no apoio à população e na denúncia de violações dos direitos humanos durante a resistência.
O Primeiro-Ministro afirmou ainda que Timor-Leste precisa de jovens preparados para defender a identidade nacional, a memória histórica e os valores da resistência, transformando os sacrifícios do passado numa base para a construção do futuro do país.
Durante a cerimónia, foi igualmente inaugurada uma exposição subordinada ao tema “Timor-Leste: da memória ao fortalecimento da soberania”, dedicada aos principais momentos da luta pela independência e da construção do Estado ao longo dos últimos 24 anos.
O Diretor do Departamento de Museologia do AMRT, Mateus Campos Pinto, afirmou que a exposição pretende servir como espaço de diálogo e reflexão sobre a história da luta de libertação nacional e sobre a consolidação da soberania timorense.
Durante o evento, o Primeiro-Ministro lançou igualmente o livro “Vidas de Resistência - A Longa Marcha para a Independência de Timor-Leste”, da autoria de Rosa Amaro e de veteranos timorenses, com prefácio de Kay Rala Xanana Gusmão, e que resulta de um longo processo de entrevistas, encontros e revisões, reunindo testemunhos ligados à luta pela independência nacional.
As comemorações tiveram início com uma missa de ação de graças presidida pelo Padre Angelo Salsinha, com a participação de membros do Governo, membros do Parlamento Nacional, representantes do corpo diplomático, veteranos e estudantes.






































