Mártires e vítimas do Massacre de Liquiçá homenageados no 27.º aniversário da tragédia

Ter. 07 de abril de 2026, 10:27h
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O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, afirmou que os mártires e as vítimas do massacre da Igreja de São João de Brito, ocorrido nos dias 5 e 6 de abril de 1999, são os verdadeiros heróis da independência de Timor-Leste, durante a cerimónia de evocação do 27.º aniversário do acontecimento, realizada no passado dia 5 de abril, em Liquiçá. 661376970_825024537320543_695754228607164370_n 666582666_825024433987220_854954514882778275_n 663196515_825028070653523_2010371095414461525_n 662639993_825028560653474_8644400127777363338_n 665715721_825027763986887_2983960784462221789_n 662354171_825026700653660_3972975004389766534_n

A cerimónia assinalou um dos episódios mais marcantes do período que antecedeu a restauração da independência, e reuniu autoridades locais, vítimas, familiares e jovens, num momento de homenagem e reflexão sobre o impacto histórico do massacre.

Durante a sua intervenção, o Primeiro-Ministro sublinhou a importância de recordar os acontecimentos de Liquiçá, referindo que a comemoração da independência, a assinalar a 20 de maio, deve igualmente evocar o sacrifício das vítimas de 1999.

“Aqueles a quem prestamos homenagem, os mártires, as vítimas e as famílias das vítimas aqui presentes, em 1999, foram heróis juntamente com os idosos e idosas aqui presentes. São os verdadeiros heróis. O seu sofrimento foi o que nos deu a independência. Por isso, o povo é o verdadeiro herói. Não há outros heróis em Timor. Só o povo é o verdadeiro herói da independência”, declarou.

O Chefe do Governo referiu ainda que a melhor forma de homenagear as vítimas passa pelo compromisso de servir o povo e a nação, destacando a responsabilidade dos governantes nesse propósito. Dirigindo-se aos jovens, apelou à necessidade de conhecerem a história da independência para melhor projetarem o futuro e refletirem sobre o contributo que podem dar ao país.

“Para dar verdadeiro valor a estes heróis, é que enquanto jovens estudem muito e se comportem bem, para que, no futuro, se assumirem responsabilidades, trabalhem com dedicação pela vida das pessoas, sobretudo pela vida do povo de Liquiçá”, acrescentou.

O massacre da Igreja de Liquiçá, ocorrido em 1999, constitui um dos episódios mais marcantes e trágicos da história da luta de Timor-Leste, especialmente no período que antecedeu a independência. No dia 6 de abril de 1999, muitas pessoas procuraram refúgio na Igreja de São João de Brito, temendo a violência das milícias pró-Indonésia. O local, que deveria ser seguro, acabou por se tornar alvo de ataque. Milícias, em particular o grupo Besi Merah Putih, com apoio de elementos militares e da policia indonésios, invadiram a igreja e atacaram as pessoas que ali se encontravam, provocando a morte de cerca de 30 pessoas e deixando mais de 100 feridos, vítimas de tortura, disparos, agressões e outras formas de violência.

A evocação anual deste acontecimento constitui um momento de memória coletiva, reconhecimento do sofrimento das vítimas e reflexão sobre a construção de uma sociedade assente na paz, no respeito e na unidade nacional.

Participaram na cerimónia o Presidente da Autoridade Municipal de Liquiçá, Paulino Ribeiro, o Presidente do Conselho de Veteranos de Liquiçá, Vicente da Conceição “Rai Loos”, bem como jovens, estudantes, vítimas e familiares das vítimas do massacre.

 

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