Relatório do BCTL aponta crescimento de 4,6% em 2025 e reforça debate sobre economia liderada pelo setor privado

Ter. 24 de março de 2026, 09:30h
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O Relatório sobre o Desempenho Económico de Timor-Leste em 2025, elaborado pelo Banco Central de Timor-Leste (BCTL) e apresentado ontem, 23 de março de 2026, no Centro de Convenções de Díli, indica que a economia nacional manteve uma trajetória de subida, com um crescimento estimado de 4,6% em 2025, inflação de 0,5% e aumento do rendimento per capita para 1.298 dólares. Durante o evento, o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, considerou que o documento apresenta “um retrato importante da nossa situação atual” e sublinhou a necessidade de utilizar esta base para acelerar a transformação estrutural da economia nacional.

O relatório mostra uma evolução positiva face a 2024, quando o crescimento económico se situou em 4,3%, e projeta um crescimento de 5% em 2026. Segundo os dados apresentados, a recuperação da atividade económica foi sustentada sobretudo pela despesa pública, pelo crescimento do consumo agregado e por uma contribuição moderada do setor privado, cujo investimento registou um aumento superior a 8% em 2025.

“O Relatório sobre o Desempenho Económico de Timor-Leste para 2025 apresenta um retrato importante da nossa situação atual. A questão é como podemos utilizar esta base para transformar a estrutura da nossa economia e avançar para um crescimento liderado pelo setor privado”, afirmou o Primeiro-Ministro.

Na sua intervenção, o Chefe do Governo destacou que Timor-Leste tem vindo a consolidar os alicerces necessários para entrar numa nova etapa de desenvolvimento. Recordou que, após a Restauração da Independência, o país deu prioridade à paz, à reconciliação e à construção do Estado, ao mesmo tempo que tomou decisões estruturantes para o seu futuro económico, como a criação do Fundo Petrolífero em 2005.

“Entregámos a gestão do Fundo Petrolífero nas mãos do nosso Banco Central independente, o que demonstra a importância desta grande responsabilidade, e todos reconhecemos e valorizamos muito a capacidade do nosso Banco Central. Desde a sua criação, o Banco Central tem gerido este Fundo com profissionalismo e transparência”, afirmou.

Os dados do relatório indicam que o saldo do Fundo Petrolífero atingiu 18,61 mil milhões de dólares no final de 2025, acima dos 18,27 mil milhões registados em 2024. O retorno anual do investimento aumentou para 9,92% em 2025, face a 7,26% no ano anterior.

O Primeiro-Ministro assinalou também os avanços alcançados na criação das bases materiais do desenvolvimento, nomeadamente através da expansão da eletricidade, da construção da rede rodoviária nacional, do porto de Tibar e da ligação ao cabo submarino de internet, bem como da prevista requalificação do Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato.

“Construímos uma sociedade capaz de viver em paz, tolerante, com um Estado democrático que respeita a dignidade humana e o Estado de Direito. Comparando com muitos países do mundo que já se governam há muito tempo, o nosso Estado funciona bem. É verdade que não fizemos tudo, mas aquilo que já foi feito permite-nos continuar a avançar. A próxima etapa é construir uma economia impulsionada pelo nosso próprio setor”, afirmou.

O relatório do BCTL identifica igualmente sinais positivos no setor financeiro. O crédito total atingiu 724,4 milhões de dólares em dezembro de 2025, os depósitos ascenderam a 1.913,2 milhões e os ativos totais do sistema bancário atingiram 2.936 milhões. O crescimento do crédito e a solidez do sistema financeiro são apontados como fatores relevantes para apoiar o desenvolvimento do setor privado, embora o relatório destaque a necessidade de alargar o financiamento aos setores mais produtivos.

O Governador do BCTL, Helder Lopes, explicou que a apresentação do relatório assentou em duas dimensões principais, por um lado analisar as metas económicas definidas pelo Governo e por outro avaliar o desempenho efetivamente registado em 2025. Recordou que, entre os objetivos definidos para o mandato, figuram o crescimento económico de 5% ao ano, inflação inferior a 4%, crescimento anual de 10% do investimento privado, aumento das receitas internas e criação de emprego para os jovens.

“Perante estas metas principais, o BCTL definiu três estratégias para se alinhar com o plano do Governo, designadamente a expansão do mercado de crédito, por ser muito importante para o desenvolvimento do setor privado, a promoção da digitalização dos serviços financeiros, para apoiar a digitalização da economia, e a promoção da inclusão financeira, para garantir que todos tenham acesso aos serviços financeiros”, afirmou Helder Lopes. 657529829_814460811710249_8514838850797757287_n 656206025_814461095043554_8425745386261172863_n 657044053_814461441710186_4100031284682729006_n 656846004_814460925043571_5930745737136032013_n 656930209_814461828376814_9048753437267457840_n 658261659_814461018376895_6222868585086041772_n 654799050_814463175043346_100806217303760286_n 656171924_814504525039211_2865185728968875664_n 655438671_814510791705251_900885908654250942_n

O Governador destacou ainda que o crescimento económico de 4,6% em 2025 demonstra recuperação e resiliência, apesar dos constrangimentos enfrentados nos últimos anos.

“A nossa economia começou a recuperar e mostra resiliência, mas há um dado importante a assinalar, entre 2022 e 2025 tivemos quatro episódios de recessão económica. Essas recessões ocorreram devido a impasses políticos, crises e fatores externos. Por isso, devemos preservar esta tendência positiva de crescimento económico e evitar que se repitam impasses políticos no país”, afirmou.

Entre outros indicadores apresentados, o relatório mostra que a inflação média anual desceu para 0,5% em 2025, depois de 2,1% em 2024 e 8,4% em 2023, o que contribuiu para a melhoria do rendimento real das famílias. As remessas dos timorenses no estrangeiro mantiveram também um contributo relevante para a economia nacional, ao totalizarem 181,9 milhões de dólares em 2025, equivalentes a cerca de 10% do PIB.

No setor externo, o relatório regista um aumento do défice da conta corrente para 701,4 milhões de dólares, refletindo o peso ainda elevado das importações na satisfação da procura interna. As importações de bens atingiram 960 milhões de dólares, com destaque para combustíveis, veículos, cereais, maquinaria e equipamentos elétricos. Ao mesmo tempo, o relatório assinala oportunidades de reforço da produção interna e da substituição de importações, bem como o potencial de crescimento de setores como o turismo, o agronegócio, a indústria transformadora e os serviços.

As exportações de serviços de viagens e turismo a atingiram 109,6 milhões de dólares em 2025. Estes dados confirmam o potencial do setor para contribuir para a diversificação económica, num quadro em que continuam a ser necessárias melhorias nas infraestruturas, na conectividade, no acesso ao crédito e no ambiente regulatório.

No âmbito do lançamento do relatório, o BCTL promoveu também um diálogo entre o Governo e o setor privado, subordinado ao tema “Timor-Leste: Rumo a um Crescimento Económico Liderado pelo Setor Privado”. O Primeiro-Ministro felicitou a iniciativa e defendeu a continuidade deste tipo de encontros.

“Felicito a iniciativa do BCTL de organizar este diálogo. Encorajo todos a aproveitarem esta oportunidade para refletir sobre como podemos avançar para uma economia impulsionada pelo setor privado”, afirmou.

“Cada um deve refletir sobre o que pode fazer. Os jovens não devem perguntar apenas ao Estado o que este deve fazer, mas sim perguntar a si próprios o que podem fazer pelo país e pelo povo”, acrescentou.

Do diálogo resultou a assunção de cinco compromissos conjuntos entre o Governo e o setor privado: a reforma estrutural do ambiente de negócios, a dinamização do investimento nos setores produtivos, a promoção do acesso ao financiamento, a facilitação do acesso aos mercados e a institucionalização do diálogo público-privado. O acordo foi assinado pelo Presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Timor-Leste (CCI-TL), Jorge Manuel de Araújo Serrano, e pelo Ministro do Comércio e Indústria, Filipus Nino Pereira, na presença do Primeiro-Ministro, do Vice-Primeiro-Ministro e Ministro Coordenador dos Assuntos Económicos e do Governador do BCTL.

O Relatório sobre o Desempenho Económico de Timor-Leste em 2025 confirma, assim, uma evolução positiva dos principais indicadores macroeconómicos e reforça a importância de prosseguir o trabalho de transformação estrutural da economia, com base no fortalecimento do setor privado, no aproveitamento das infraestruturas já construídas e na preparação de novas oportunidades de investimento e integração regional.

 

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