6.ª Conferência Internacional de Geociências debate contributo científico para o desenvolvimento de Timor-Leste

Sex. 06 de fevereiro de 2026, 15:51h
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O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, presidiu, no dia 5 de fevereiro de 2026, à sessão de abertura da 6.ª Conferência Internacional de Geociências, organizada pelo Instituto de Geociências de Timor-Leste (IGTL), que decorre também hoje, 6 de fevereiro, em Díli. 625902995_776665502156447_4937572376919349262_n 627050693_776661018823562_3831680161448172132_n 626881191_776660835490247_4974896285259603659_n 626773875_776660775490253_4940451890699905229_n 625896275_776660788823585_5705921603865659138_n 626691753_776663072156690_7520310660559520141_n

Sob o tema “Geociências para a Construção da Nação: Dados, Recursos e Resiliência para o Futuro de Timor-Leste”, a conferência reuniu investigadores, académicos, especialistas do setor, decisores políticos e representantes de instituições nacionais e internacionais para debater o contributo das geociências para o desenvolvimento nacional, a gestão sustentável dos recursos naturais e o reforço da resiliência nacional.

Na intervenção de abertura, o Chefe do Governo destacou que, “embora Timor-Leste seja uma nação jovem, somos um país com uma longa história”, sublinhando que “o povo timorense viveu sempre em estreita relação com a sua terra e com os seus mares”.

“Foi esta profunda ligação à terra e ao mar que sustentou o nosso povo ao longo dos séculos, através do conflito, da exploração e dos anos da Resistência”, afirmou, acrescentando que, “agora que contamos vinte e quatro anos desde a Restauração da Independência, a nossa ligação ancestral à terra deve ser complementada pelo conhecimento científico”.

O Primeiro-Ministro recordou que, passados 24 anos desde a Restauração da Independência, Timor-Leste estabeleceu “um Estado democrático e pacífico”, guiado pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011–2030, que “identifica três indústrias estratégicas sobre as quais assentar o nosso futuro: o turismo, a agricultura e o petróleo e recursos naturais.”

Xanana Gusmão salientou a importância da soberania marítima e recordou o processo de conciliação obrigatória iniciado ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que permitiu assegurar as fronteiras marítimas com a Austrália, bem como as negociações em curso com a Indonésia. “A soberania da nossa nação não é apenas herdada da história; é sustentada pelo conhecimento, pelo discernimento e pela responsabilidade”, afirmou.

Relativamente ao projeto Greater Sunrise, reiterou que “a posição do Governo sempre foi clara: o gás natural do Greater Sunrise tem de ser processado em terra, em Timor-Leste”, acrescentando que o projeto “irá gerar benefícios nacionais, incluindo emprego, receitas de longo prazo e o estabelecimento de uma base industrial ao longo da nossa costa sul”.

No primeiro dia, a conferência contou com um painel de alto nível dedicado ao papel dos serviços geológicos nacionais na construção do Estado, com intervenções de representantes do espaço lusófono e da região Ásia-Pacífico. O IGTL apresentou ainda novos mapas geológicos e geoquímicos, incluindo o mapa de Maliana e mapas de anomalias geoquímicas em Oé-Cusse Ambeno, Ataúro e outras regiões.

 

O segundo dia centrou-se na cartografia geológica, nos recursos minerais e no setor energético, com sessões dedicadas à exploração responsável, à governação dos recursos naturais, à mitigação de riscos geológicos e ao papel das geociências no crescimento económico. Participaram especialistas de Portugal, Reino Unido, Moçambique, Austrália, Brasil, Indonésia e de organizações regionais.

Para o Chefe do Governo, o papel do IGTL é central neste processo, ao promover investigação geológica e produzir conhecimento científico ao serviço do Estado e do povo timorense. “Sem este conhecimento, não pode haver verdadeira soberania sobre os nossos recursos naturais”, afirmou.

No plano internacional, destacou que “a cooperação internacional é uma necessidade estratégica para o nosso país”, referindo a colaboração com universidades e centros de investigação como um meio para “acelerar a aprendizagem, partilhar experiências, adotar boas práticas e evitar erros já cometidos noutros contextos”.

No encerramento da sua intervenção, o Primeiro-Ministro reafirmou o compromisso do Executivo com o investimento na ciência e na formação de quadros técnicos nacionais. “Queremos jovens timorenses formados nas áreas das geociências, da engenharia, do ambiente e da energia”, afirmou, sublinhando que o conhecimento deve traduzir-se “em decisões que melhorem vidas, protejam comunidades e criem emprego”.

Por fim, deixou uma mensagem de futuro, afirmando que “Timor-Leste está comprometido com um caminho de desenvolvimento inclusivo e sustentável, fundado no conhecimento, reforçado pela cooperação e orientado por prioridades nacionais de longo prazo.”

“As escolhas que fizermos relativamente à nossa terra e aos nossos mares moldarão o país que iremos ser”, concluiu, expressando a convicção de que “esta Conferência ajudará a fundamentar essas escolhas e a contribuir para o futuro da nossa nação nos próximos vinte e quatro anos e para além deles”.

 

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