Projeto Solar Fotovoltaico lançado em Laleia para reforçar segurança energética nacional
Na quinta-feira, dia 23 de julho de 2026, o Presidente da República, José Ramos-Horta, e o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, presidiram à cerimónia de lançamento da primeira pedra de um projeto de energia solar fotovoltaica, no Suco de Lifau, Posto Administrativo de Laleia , no Município de Manatuto. O projeto inclui um sistema de armazenamento de energia em baterias e um sistema SCADA para interligação à rede nacional de transmissão de eletricidade.
O projeto instalará uma central solar fotovoltaica com capacidade de 72 megawatts (MW), combinada com um sistema de armazenamento de energia em baterias com capacidade de 36 megawatts-hora (MWh). O objetivo é fornecer eletricidade à rede nacional, diversificar as fontes de energia de Timor-Leste e reduzir a dependência do país de combustíveis importados.
O Presidente Ramos-Horta felicitou o IX Governo Constitucional, liderado pelo Primeiro-Ministro Xanana, pelo avanço deste projeto. Ele destacou que os projetos desta escala exigem tempo, coordenação e envolvimento de agências internacionais e investidores privados.
“A eletricidade é um setor muito importante para o desenvolvimento. Nós podemos ver o progresso rápido e a continuidade da implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030”, afirmou Ramos-Horta.
O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, descreveu o projeto como um investimento importante para o sistema eléctrico nacional e para o desenvolvimento económico de Timor-Leste no futuro. Ele salientou que o Governo mantém o compromisso de assegurar o fornecimento de eletricidade fiável para as famílias, escolas, centros de saúde, instituições públicas e empresas em todo o país.
“Agora precisamos de fortalecer o sistema eléctrico nacional e preparar-nos para o futuro. Devemos diversificar as nossas fontes de energia e reduzir a dependência de combustíveis importados. É por isso que este projeto de energia solar fotovoltaica em Laleia é tão importante”, disse Xanana Gusmão.
Segundo a estimativa do Primeiro-Ministro, o projeto reduzirá os custos de combustíveis em 25 a 30 milhões de dólares por ano. Esses recursos, salientou o Primeiro-Ministro, podem ser redirecionados para a saúde, a educação, as infraestruturas e outras prioridades nacionais.
Além dos benefícios financeiros, espera-se que o projeto permita capacitar os técnicos da EDTL nas fases de instalação, operação e manutenção, bem como criar oportunidades de formação e investigação para os estudantes timorenses no campo das energias renováveis.
Espera-se que a construção gere emprego durante o período de construção, previsto entre 18 e 24 meses.
O projeto segue o modelo de Produtor Independente de Energia (Independent Power Producer - IPP) e será implementado pela Manatuto Renewable Power, uma empresa formada pelas empresas ITOCHU, do Japão, e EDF, de França.
O embaixador de França em Timor-Leste, Fabien Penone, afirmou que o projeto irá ampliar o acesso à electricidade fiável, reduzir as emissões de CO2 e diminuir a dependência de combustíveis importados. Ele descreveu o envolvimento da EDF como um forte sinal de cooperação económica entre França e Timor-Leste.
O embaixador do Japão em Timor-Leste, Yasushi Yamamoto, afirmou que o Governo do Japão apoia este projeto por meio do financiamento da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), considerando essa iniciativa um exemplo de cooperação entre os setores público e privado para promover a energia renovável e a segurança energética.
Paulo da Silva, Presidente do Comité Executivo da EDTL, E.P., explicou que, de acordo com o modelo IPP, o setor privado é responsável pelo investimento, construção, operação e manutenção, enquanto a EDTL comprará a eletricidade ao preço de 6,5 cêntimos por kWh durante o período contratual de 25 anos.
Paulo da Silva acrescentou que, para além da poupança de combustível projetada de até 30 milhões de dólares por ano, a EDTL poderá também candidatar-se aos programas internacionais de crédito de carbono, com o apoio do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB). Ele afirmou que se espera que este projeto sirva de centro de formação e de investigação para técnicos e estudantes da EDTL.
O projeto é financiado por investimentos internacionais do setor privado, no valor de até 85,6 milhões de dólares, provenientes da ITOCHU, do Japão, e da EDF, da França.
A cerimónia de lançamento contou com a presença de membros do Governo, do Parlamento Nacional, do corpo diplomático, de autoridades de defesa e de segurança e da comunidade de Lifau, Laleia.






































