O Ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral, realizou, nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, uma visita oficial à Província de Hunan, na República Popular da China, centrada no reforço da cooperação com Timor-Leste nos setores da geologia, mineração, ensino superior e desenvolvimento sustentável.

No âmbito da visita, o Ministro participou na abertura do seminário de formação sobre “Mineração e Desenvolvimento Sustentável”, na Academia de Geologia da Província de Hunan, destinado a quadros médios e superiores de Timor-Leste.
O seminário, organizado conjuntamente pelo Gabinete dos Assuntos Externos do Comité Provincial de Hunan e pela Academia de Geologia da Província de Hunan, tem a duração de nove dias e conta com participantes de instituições timorenses, incluindo o Ministério do Petróleo e Recursos Minerais e o Ministério da Administração Estatal.
A formação aborda áreas como a prospeção mineral, o desenvolvimento de minas verdes, a gestão ambiental, a recuperação ecológica de zonas mineiras e a prevenção de desastres geológicos, com base na experiência e nos conhecimentos técnicos desenvolvidos na Província de Hunan.
Na cerimónia de abertura, o Ministro Tomás do Rosário Cabral destacou a necessidade de reforçar os conhecimentos geológicos e os recursos humanos especializados em Timor-Leste, para apoiar uma exploração sustentável dos recursos minerais e a sua contribuição para o desenvolvimento económico nacional.
O Ministro defendeu o aprofundamento da cooperação técnica e do intercâmbio de recursos humanos e manifestou interesse em desenvolver iniciativas conjuntas nas áreas da prospeção mineral, recuperação ecológica e estudos hidrogeológicos.
A cooperação neste setor enquadra-se também no Memorando de Entendimento sobre Cooperação nos Domínios da Geologia e Mineração, celebrado entre a Academia de Geologia de Hunan e instituições nacionais do setor dos recursos minerais e das geociências. A Academia manifestou a intenção de dar continuidade à implementação do acordo e de prestar apoio técnico no domínio da geologia.
Participaram na cerimónia Mai Miao, Vice-Presidente Executiva da Associação do Povo de Hunan para a Amizade com Países Estrangeiros, e Tan Wensheng, Secretário do Comité do Partido da Academia de Geologia da Província de Hunan. Antes da abertura do seminário, a delegação timorense visitou a exposição geológica da Academia, dedicada à evolução do setor geológico, aos recursos minerais da província e à cooperação internacional.
A cooperação entre Timor-Leste e Hunan beneficia ainda das relações de amizade estabelecidas entre a Província de Hunan e o Município de Manatuto, que têm apoiado iniciativas de intercâmbio e cooperação em diferentes setores.
O Ministro da Administração Estatal visitou também a Universidade Normal de Hunan, em Changsha, onde se reuniu com o Reitor, Professor Liu Hong, para abordar possibilidades de reforço da cooperação no ensino superior, na formação de professores e no intercâmbio de estudantes.
Durante o encontro, foram também abordadas as áreas da educação, saúde e psicologia, bem como as possibilidades de formação de funcionários públicos e de desenvolvimento de programas de bolsas de estudo.
O Ministro destacou ainda o ensino da língua portuguesa na Universidade Normal de Hunan, que oferece um curso nesta área, e salientou o contributo do conhecimento do português para o reforço dos intercâmbios académicos e institucionais com Timor-Leste.
Tomás do Rosário Cabral convidou docentes, investigadores e estudantes chineses a desenvolverem atividades de investigação, ensino e intercâmbio em Timor-Leste, em colaboração com profissionais e instituições nacionais.
A delegação visitou também o Museu de História da Universidade Normal de Hunan e o Museu do Bordado de Hunan.
A visita deu continuidade à cooperação entre Timor-Leste e a Província de Hunan, com particular incidência na capacitação de recursos humanos, no intercâmbio técnico e académico e na cooperação nos setores da geologia e dos recursos minerais.
O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, participou, no dia 18 de setembro de 2026, na Embaixada de Portugal em Díli, na apresentação de Mauberíadas, poema épico que escreveu em 1975 e que retrata a experiência, a identidade e a realidade do povo timorense num período marcante da história nacional.

A cerimónia contou com a presença do Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, de membros do Governo, representantes do corpo diplomático, instituições e parceiros, escritores, poetas e outros convidados.
Mauberíadas foi escrito por José Alexandre Gusmão, nome de nascimento do Primeiro-Ministro, quando era ainda um jovem jornalista e colaborava regularmente com o semanário A Voz de Timor. O poema foi apresentado ao Concurso Literário de 1975, promovido pela então Administração Portuguesa, através do Centro de Informação e Turismo, sob o tema “Cultura é a Liberdade do Povo”.
O concurso, lançado a 24 de fevereiro de 1975, tinha entre os seus objetivos a “afirmação de uma autêntica cultura timorense” e “contribuir para o estudo e publicação da História de Timor”. José Alexandre Gusmão recebeu o primeiro prémio pelo poema Mauberíadas, posteriormente publicado em A Voz de Timor, a 17 de maio daquele ano.
Na obra, Xanana Gusmão estabelece uma ligação com a tradição poética de língua portuguesa, nomeadamente com Os Lusíadas, para refletir sobre Timor, o seu povo, o sofrimento, a esperança, a identidade e o destino da nação.
Durante a apresentação, o Primeiro-Ministro recordou que, nessa altura, Timor-Leste entrava num período de grandes transformações, e salientou a importância da palavra “Maubere” para a identidade e dignidade do povo timorense.
“Timor-Leste atravessou um longo período histórico, que incluiu conflito, sofrimento, ocupação, resistência e luta pela independência. Neste processo, a cultura, a língua, a poesia e a história ajudaram o povo a não esquecer a sua identidade e o percurso histórico que atravessou”, afirmou Kay Rala Xanana Gusmão.
O Chefe do Governo destacou ainda a relação entre o desenvolvimento nacional e a preservação da sua memória e identidade.
“Uma nação não pode ser construída apenas com estradas, edifícios e infraestruturas. Uma nação tem também de ser construída com memória, cultura, educação e capacidade própria de pensar”, afirmou.
O Primeiro-Ministro agradeceu a todos os que contribuíram para a publicação e divulgação da obra e incentivou os jovens timorenses a continuar a ler, escrever e aprofundar o conhecimento sobre a história e a cultura do país.
A atual edição de Mauberíadas foi lançada a 17 de outubro de 2024, no auditório da sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, durante a visita oficial do Primeiro-Ministro a Portugal.
Na cerimónia em Díli, o Embaixador Duarte Bué Alves destacou o contributo da literatura para a preservação da memória histórica e para os laços culturais e linguísticos entre Timor-Leste e Portugal.
“Mauberíadas leva os leitores de volta a um momento importante da história de Timor-Leste, quando o autor era ainda jovem e escreveu esta obra em 1975”, afirmou o diplomata.
O Diretor-Geral da Plural Editores Timor-Leste, Hélder Carvalho, referiu o trabalho desenvolvido pela instituição no país ao longo dos últimos 12 anos e a cooperação mantida com instituições timorenses para a promoção da leitura e da cultura escrita.
“Esta experiência reforça a necessidade de uma cooperação estreita entre instituições públicas e privadas para promover a leitura, o conhecimento e a cultura escrita”, afirmou.
A apresentação de Mauberíadas em Díli, mais de cinco décadas depois da sua primeira publicação, permitiu revisitar o contexto em que o poema foi escrito e aproximar a obra de novas gerações de leitores, através de um texto ligado à memória histórica e à identidade de Timor-Leste.
O Ministro das Obras Públicas, Samuel Marçal, inaugurou, nos dias 18 e 19 de setembro de 2026, novos sistemas de eletrificação e abastecimento de água limpa nos municípios de Ermera e Bobonaro, no âmbito das intervenções do Governo destinadas a ampliar o acesso das comunidades às infraestruturas e serviços básicos.
No município de Ermera, o Ministro das Obras Públicas, acompanhado pelo Secretário de Estado da Eletricidade, Água e Saneamento, Santos Noronha, por responsáveis da Eletricidade de Timor-Leste (EDTL, EP) e da Bee Timor-Leste (BTL, EP), membros do Governo, autoridades municipais e locais e outras entidades, inaugurou, no dia 18 de setembro, projetos de eletrificação e abastecimento de água nos Postos Administrativos de Atsabe e Letefoho.

Em Atsabe, entrou em funcionamento a rede de eletrificação das aldeias de Ilat Kora, Baboleta, Malabe e Batumigi, no suco de Malabe. O Ministro Samuel Marçal explicou que o fornecimento de eletricidade ao Posto Administrativo de Atsabe depende atualmente da Subestação de Camea, em Díli, e apelou à colaboração das comunidades na preservação da rede e dos respetivos equipamentos.
O Ministério das Obras Públicas e a EDTL, EP estão também a preparar um plano para a construção de uma subestação elétrica no município de Ermera, destinada a reforçar a estabilidade do fornecimento de energia no município, em particular no Posto Administrativo de Atsabe.
Na mesma ocasião, foi inaugurado o projeto de melhoria do sistema de abastecimento de água de Atsabe, que abrange os sucos de Parami, Laclo, Baboi Craic e Malabe Vila. O sistema beneficia 569 agregados familiares, correspondentes a mais de três mil habitantes, e assegura também o abastecimento de instalações públicas.
As obras incluíram a instalação de condutas de transmissão e distribuição, reservatórios e 24 unidades de distribuição, bem como ligações domiciliárias e a instalação de contadores.
Ainda no município de Ermera, o Ministro das Obras Públicas inaugurou a extensão da rede elétrica às aldeias de Olopana, Taurema e Lequisalac, no suco de Eraulo, Posto Administrativo de Letefoho. O projeto permite o acesso à eletricidade a 241 agregados familiares, dos quais 39 em Taurema, 67 em Lequisalac e 135 em Olopana.
Na cerimónia, Samuel Marçal salientou que as deslocações aos municípios permitem aos membros do Governo acompanhar diretamente as condições das comunidades e identificar as suas necessidades, em particular nas áreas das estradas, água e eletricidade.
“Devemos definir prioridades para concretizar os direitos da população. Muitas vezes, quando me desloco aos municípios, os idosos pedem sempre estradas, água e eletricidade. Não pedem outras coisas. Isto representa uma expectativa em relação ao Governo, que deve fazer esforços para responder às necessidades apresentadas pela população”, afirmou.
O Presidente da Comissão Executiva da EDTL, EP, Paulo da Silva, destacou a colaboração das autoridades locais e das comunidades na execução das obras e apelou à preservação das infraestruturas e à utilização segura e responsável da energia elétrica.
Em Eraulo, a EDTL disponibilizou os materiais necessários para a extensão da rede e contou com a colaboração da comunidade na execução dos trabalhos. Os novos beneficiários poderão utilizar gratuitamente a eletricidade durante os primeiros seis meses. Após este período, as equipas técnicas da EDTL realizarão ações de sensibilização e procederão à regularização das ligações e instalação dos respetivos contadores.
Para as comunidades isoladas onde a extensão da rede elétrica nacional não seja tecnicamente viável, a EDTL prevê soluções através da instalação de sistemas solares, no âmbito do programa de energia rural, após avaliação técnica das condições no terreno.
No dia seguinte, 19 de setembro, o Ministro das Obras Públicas prosseguiu a deslocação às comunidades no município de Bobonaro, onde lançou o projeto de reabilitação de cerca de 8,9 quilómetros da estrada Bobonaro–Lolotoe e inaugurou o projeto de melhoria do sistema de abastecimento de água no Posto Administrativo de Lolotoe.
O novo sistema de abastecimento de água de Lolotoe beneficia 188 agregados familiares, correspondentes a 1.126 habitantes, e abastece também instalações públicas. O projeto, executado em dois lotes, incluiu a construção e instalação de reservatórios, condutas de transmissão e distribuição, ligações domiciliárias e contadores.
O investimento nos dois lotes ultrapassou os 300 mil dólares americanos. O sistema é abastecido por duas nascentes, com um caudal conjunto de 2,05 litros por segundo, e dispõe de 4,8 quilómetros de condutas de transmissão e 1,3 quilómetros de condutas de distribuição.
Durante a cerimónia, Samuel Marçal apelou às autoridades locais e às comunidades para preservarem as novas instalações e utilizarem de forma responsável as infraestruturas públicas.
No mesmo dia, o Ministro lançou o projeto de reabilitação da estrada Bobonaro–Lolotoe, com cerca de 8,9 quilómetros de extensão, um orçamento de 11,98 milhões de dólares americanos e um prazo de execução de 18 meses. A intervenção destina-se a melhorar as condições de circulação e o acesso das comunidades aos mercados, estabelecimentos de ensino e serviços de saúde.
Segundo a BTL, E.P., os investimentos em sistemas de abastecimento de água já abrangem as sedes de 33 Postos Administrativos, estando prevista a continuação das intervenções nas restantes sedes ainda não abrangidas.
As intervenções realizadas em Ermera e Bobonaro integram as ações do Governo para ampliar a cobertura das redes de eletricidade e água e melhorar as infraestruturas de acesso nos municípios.
O Ministro das Obras Públicas, Samuel Marçal, lançou, no dia 19 de setembro de 2026, no município de Bobonaro, o projeto de reabilitação de cerca de 8,9 quilómetros da estrada entre Bobonaro e Lolotoe, com um investimento de 11,98 milhões de dólares americanos e um prazo de execução de 18 meses.

O projeto destina-se a melhorar as condições de circulação neste troço e o acesso das comunidades aos mercados, estabelecimentos de ensino e serviços de saúde.
Durante a cerimónia, o Ministro das Obras Públicas explicou que, “após o lançamento, serão concedidos três meses à empresa para mobilizar os equipamentos e instalar o respetivo estaleiro. Por isso, pedimos à comunidade que coopere e não crie obstáculos”, afirmou Samuel Marçal.
A deslocação a Lolotoe permitiu também ao Ministro e à comitiva observar diretamente as condições das infraestruturas locais e recolher informações sobre as necessidades apresentadas pelas comunidades.
“Desta forma, todos podemos ter uma visão comum sobre o desenvolvimento do país. As informações que recolhemos no terreno serão posteriormente transmitidas ao Chefe do Governo”, afirmou o Ministro.
O Administrador do Posto Administrativo de Lolotoe, Quintino Santos de Jesus, manifestou o apoio das autoridades locais à execução do projeto e solicitou que sejam igualmente consideradas intervenções nas estradas de Mapelai e Molop Tobur.
O Administrador apresentou também a necessidade de extensão da rede elétrica à aldeia de Oelaka, subaldeia de Oburo, e anunciou que será submetida uma proposta ao Ministério das Obras Públicas para apreciação.
A representante da comunidade de Lolotoe, Veneranda Santos, destacou os efeitos esperados da reabilitação da estrada nas deslocações da população e no acesso aos serviços.
“Isto significa que o Governo ouviu as nossas preocupações e está a procurar resolver os problemas que enfrentamos há muitos anos”, afirmou.
Também no Posto Administrativo de Lolotoe, o Ministro das Obras Públicas inaugurou um projeto de melhoria do sistema de abastecimento de água.
As intervenções em Bobonaro dão continuidade às deslocações do Ministério das Obras Públicas aos municípios para acompanhar e executar projetos de infraestruturas. No dia anterior, 18 de setembro, o Ministro Samuel Marçal inaugurou, no município de Ermera, novos sistemas de eletrificação e abastecimento de água nos Postos Administrativos de Atsabe e Letefoho.
Também no município de Ermera, foi recentemente concluída a reabilitação da estrada rural Lihu–Railaco Craic, com recurso a pavimento de betão reforçado com fibras (Fibre Reinforced Concrete – FRC). A intervenção foi realizada no âmbito da cooperação entre o Governo de Timor-Leste e o Governo da Austrália, através do programa PARTISIPA, em coordenação com o Ministério das Obras Públicas, as autoridades municipais e as comunidades locais.
Estas intervenções integram as ações em curso para melhorar as ligações rodoviárias e ampliar o acesso das comunidades à eletricidade, água e outros serviços básicos nos municípios.
A Ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Verónica das Dores, e a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal, Maria do Rosário Palma Ramalho, assinaram, no dia 17 de setembro de 2026, em Lisboa, o Programa de Cooperação Bilateral para o período 2026–2028, destinado a reforçar a cooperação nas áreas da proteção social e da segurança social, com particular incidência na luta contra a pobreza e na capacitação institucional.

O novo Programa dá continuidade à cooperação desenvolvida entre os dois países neste setor desde 2003 e enquadra-se no Programa Estratégico de Cooperação (PEC) 2024–2028 entre Timor-Leste e Portugal.
Na área da luta contra a pobreza, a cooperação incide no apoio a programas e equipamentos sociais destinados a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade. Estes apoios são canalizados através de instituições de solidariedade social, parceiras do Governo de Timor-Leste, e são cofinanciados pelos Ministérios responsáveis pela área da solidariedade social dos dois países.
Na sua intervenção, a Ministra Verónica das Dores destacou o contributo destas instituições para a extensão da proteção social às comunidades, incluindo nas regiões e junto das populações mais isoladas, e reafirmou o compromisso de Timor-Leste de continuar a apoiar o trabalho desenvolvido por estas entidades.
O Programa 2026–2028 prevê igualmente a continuidade e o reforço da capacitação institucional, através de formação especializada dos quadros técnicos e do apoio à consolidação do sistema de segurança social de Timor-Leste. Esta cooperação inclui apoio técnico e normativo e ações de formação continuada, com acompanhamento dos organismos da Segurança Social portuguesa.
A Ministra afirmou que, através desta cooperação, “a Segurança Social portuguesa, envolvendo os diversos organismos, está a ajudar a construir e a consolidar um sistema de segurança social mais forte, sólido, e sustentável, respeitando ao mesmo tempo a total autonomia e decisões políticas de Timor-Leste”.
Verónica das Dores acrescentou que o novo Programa pretende reforçar este trabalho e alargar a cooperação a outras áreas, bem como criar condições para aumentar as capacidades técnicas dos profissionais das instituições da Segurança Social de Timor-Leste.
A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal, Maria do Rosário Palma Ramalho, destacou que a assinatura representa a continuidade da cooperação entre os dois países e do trabalho conjunto no domínio da solidariedade social.
A cerimónia contou com a participação da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, do Secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, de representantes diplomáticos e de responsáveis das instituições de Segurança Social dos dois países, do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, e de outros responsáveis das duas delegações.
O Programa de Cooperação Bilateral 2026–2028 dará continuidade aos projetos conjuntos de luta contra a pobreza, capacitação institucional e consolidação do sistema de segurança social de Timor-Leste.
O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, participou, no dia 17 de setembro de 2026, em Díli, na cerimónia da terceira edição dos Prémios Mulheres de Negócios de Timor-Leste 2026, onde felicitou as vencedoras e finalistas e destacou o contributo das mulheres empresárias para o desenvolvimento do setor privado e da economia nacional.
A cerimónia contou com a presença do Presidente da República, José Ramos-Horta, de membros do Governo e do Parlamento Nacional, representantes do corpo diplomático, do setor privado e de outras entidades.

Na sua intervenção, o Primeiro-Ministro recordou o papel das mulheres timorenses ao longo da história nacional e salientou a sua participação no atual processo de desenvolvimento económico. “A nossa história mostra-nos que a força das mulheres timorenses sempre fez parte da força de Timor-Leste”, afirmou.
O Chefe do Governo defendeu o reforço do setor privado e da capacidade produtiva nacional, como forma de gerar emprego e diminuir a dependência externa. “Precisamos de um setor privado mais forte. E precisamos de empresas timorenses que produzam bens e serviços, criem empregos e reduzam a nossa dependência das importações”, declarou.
Neste contexto, referiu que o Governo tem a responsabilidade de criar condições para o desenvolvimento das empresas e destacou a estabilidade económica, o investimento em infraestruturas e a integração económica internacional de Timor-Leste. O Primeiro-Ministro recordou a adesão à Organização Mundial do Comércio, em 2024, e à ASEAN, no ano passado, como instrumentos para alargar as oportunidades de comércio, investimento e crescimento do setor privado.
O Primeiro-Ministro abordou também as dificuldades de acesso ao financiamento enfrentadas pelas pequenas empresas, em particular pelas empresas detidas por mulheres, e enquadrou neste contexto a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento.
“O acesso ao financiamento é um dos principais obstáculos enfrentados pelas pequenas empresas nos países em desenvolvimento, sendo as empresas detidas por mulheres muitas vezes particularmente afetadas”, afirmou. Acrescentou que “o Banco facilitará o acesso dos empresários timorenses e das pequenas empresas ao capital, permitindo-lhes investir, expandir as suas atividades e empregar mais pessoas”.
Os Prémios Mulheres de Negócios de Timor-Leste são organizados pela International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial dedicado ao setor privado, em parceria com a Associação das Mulheres Empresárias de Timor-Leste (AEMTL). A iniciativa integra o Programa de Capacidade do Setor Financeiro de Timor-Leste, desenvolvido pela IFC e pelo Banco Central de Timor-Leste, com o apoio dos Governos da Austrália e da Nova Zelândia.
Nesta terceira edição, foram distinguidas dez vencedoras, individuais e institucionais, em nove categorias. Entre as entidades premiadas estiveram a Timor Port, SA, e o Serviço Financeiro Moris Rasik, SA. Foram também distinguidas Carlota da Conceição Freitas, Angelica de Fatima dos Reis, Emerenciana Nipu, Augusta de Jesus Pereira Ximenes, Ilda da Cruz, Maria Agnes Bere, Bárbara Nazareth de Oliveira e Constantina da Conceição Amaral.
As distinções abrangeram áreas como liderança empresarial, crescimento de negócios liderados por mulheres, empreendedorismo emergente, liderança cooperativa, desenvolvimento de carreira, serviços financeiros e iniciativas de promoção do empoderamento económico das mulheres.
Ao felicitar as finalistas, o Primeiro-Ministro afirmou que estas “demonstram o potencial que já existe em Timor-Leste” e que as suas empresas “revelam criatividade, determinação e confiança no futuro do nosso país”.
No encerramento da sua intervenção, Kay Rala Xanana Gusmão dirigiu uma mensagem às mulheres empresárias: “Felicito todas as finalistas desta noite e encorajo-vos a continuar a desenvolver as vossas empresas, a concretizar as vossas ideias e a acreditar naquilo que são capazes de alcançar. Timor-Leste precisa da vossa criatividade, da vossa paixão e da vossa visão para o futuro do nosso país. Mulheres fortes, Nação forte”.
O Ministro do Comércio e Indústria, Filipus Nino Pereira, inaugurou, no dia 17 de setembro de 2026, em Nanning, na Região Autónoma de Guangxi Zhuang, na China, o Pavilhão Nacional de Timor-Leste na 23.ª Exposição China-ASEAN (CAEXPO), que decorre até 21 de setembro. Esta é a primeira participação de Timor-Leste no evento como coorganizador, após a adesão do país à ASEAN.
A participação nacional nesta edição permite que, pela primeira vez, os 11 Estados-Membros da ASEAN estejam representados na CAEXPO enquanto membros da organização regional. A exposição constitui uma plataforma de promoção do comércio, investimento e cooperação económica entre a China e os países da ASEAN.
O Pavilhão Nacional apresenta produtos representativos da produção e da identidade cultural de Timor-Leste, incluindo café, tais tradicional e produtos de sândalo, com o objetivo de divulgar a oferta nacional, promover o acesso a novos mercados e estabelecer contactos com potenciais parceiros comerciais e investidores da China e dos países da ASEAN.
Na abertura do Pavilhão, o Ministro Filipus Nino Pereira destacou as oportunidades proporcionadas pela participação de Timor-Leste na CAEXPO para a promoção dos produtos nacionais nos mercados regional e internacional, para o estabelecimento de novas relações comerciais e de investimento e para uma maior integração da economia timorense no mercado regional.
A 23.ª CAEXPO decorre sob o tema “CAFTA 3.0 Opportunities, Better Life” (“Oportunidades da CAFTA 3.0, uma Vida Melhor”) e está centrada nas oportunidades resultantes do aprofundamento da Área de Comércio Livre ASEAN-China (CAFTA), com destaque para o comércio e investimento, a inteligência artificial, a economia digital e a integração das cadeias de abastecimento regionais.

A cerimónia oficial de abertura contou com a participação de representantes dos países da ASEAN e da China, incluindo o Secretário-Geral da ASEAN, Kao Kim Hourn. Durante a sua intervenção, o Secretário-Geral destacou o papel da CAEXPO na transformação das oportunidades criadas pelo aprofundamento da Área de Comércio Livre ASEAN-China em novas relações empresariais e fontes de crescimento económico.
A edição deste ano reúne cerca de 2.200 empresas chinesas e quase mil empresas dos países da ASEAN, numa área de exposição de aproximadamente 170 mil metros quadrados. Estão igualmente previstas cerca de 50 atividades económicas e comerciais complementares.
Entre as novidades desta edição encontra-se a utilização de inteligência artificial para facilitar contactos empresariais. Antes do início da exposição, este mecanismo permitiu identificar cerca de oito mil potenciais correspondências entre empresas, de acordo com as respetivas áreas de atividade e necessidades comerciais. Foi também criada uma área destinada à apresentação das necessidades dos países da ASEAN e à identificação de tecnologias, produtos e soluções disponibilizados por empresas chinesas.
A participação de Timor-Leste na CAEXPO decorre no contexto da sua integração económica regional e permite apresentar produtos e oportunidades de investimento, estabelecer contactos entre operadores económicos e participar nas iniciativas de cooperação comercial entre a ASEAN e a China.
A 23.ª CAEXPO decorre de 17 a 21 de setembro de 2026, enquanto a Cimeira Empresarial e de Investimento China-ASEAN (CABIS), realizada em paralelo, termina no dia 19 de setembro.
O Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Agio Pereira, reuniu-se, no dia 18 de setembro de 2026, em Díli, com a Embaixadora da Austrália junto da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Tiffany McDonald, acompanhada pela Embaixadora da Austrália em Timor-Leste, Caitlin Wilson, e por outros representantes da Embaixada e da Missão Australiana junto da ASEAN, para abordar as prioridades comuns relacionadas com a participação de Timor-Leste na ASEAN e a cooperação entre os dois países neste contexto. 
Durante o encontro, foram discutidas as prioridades de Timor-Leste enquanto novo Estado-Membro da ASEAN, a preparação para o exercício da Presidência da organização em 2029 e as possibilidades de cooperação bilateral no reforço das capacidades nacionais. 
Entre as áreas abordadas estiveram as infraestruturas e instalações necessárias para a realização de reuniões da ASEAN, os recursos humanos, o protocolo, a segurança, a gestão das fronteiras e a segurança marítima, a capacitação em língua inglesa, a comunicação, os sistemas de acreditação e a cooperação no domínio das tecnologias de informação, incluindo a cibersegurança. 
O Ministro Agio Pereira destacou a necessidade de a preparação para 2029 contribuir para o desenvolvimento de capacidades nacionais que permaneçam para além do exercício da Presidência da ASEAN e apoiem a participação de Timor-Leste na organização a longo prazo.
Foram também abordadas experiências de anteriores Presidências da ASEAN e possíveis formas de as adaptar às circunstâncias, prioridades e capacidades nacionais de Timor-Leste. As duas partes discutiram ainda a continuação da coordenação para identificar áreas concretas de cooperação no processo de preparação.

A reunião realizou-se no âmbito da visita da Embaixadora Tiffany McDonald a Timor-Leste, iniciada no dia 16 de setembro, durante a qual a diplomata manteve encontros com responsáveis nacionais sobre a participação de Timor-Leste na ASEAN e a cooperação entre os dois países neste contexto.
O Governo, através da Secretaria de Estado da Arte e Cultura, declarou, no dia 17 de setembro de 2026, em Díli, a Paisagem Cultural de Tutuala, o Património Arquitetónico de Origem Portuguesa no Município de Díli e o Património Arquitetónico de Origem Portuguesa no Município de Liquiçá como Património Cultural Nacional, com vista à sua proteção, conservação, valorização e transmissão às gerações futuras.

A declaração foi apresentada pelo Secretário de Estado da Arte e Cultura, Jorge Soares Cristóvão, no INFORDEPE, no final de um workshop de dois dias dedicado à preparação da Lista Indicativa do Património Mundial e ao inventário do património nacional. A atividade foi organizada em conjunto com a Comissão Nacional de Timor-Leste para a UNESCO, com o apoio técnico do Escritório da UNESCO em Jacarta e a participação de representantes de instituições nacionais relevantes.
A classificação reconhece o valor pré-histórico, histórico, arqueológico e etnográfico deste património e enquadra-se nas disposições constitucionais relativas à proteção e valorização do património cultural, na Convenção de 1972 para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural e no regime jurídico nacional aplicável ao património cultural.
O Secretário de Estado da Arte e Cultura explicou que a declaração constitui uma “fase inicial” do processo, “em que declaramos que este legado deixado a Timor-Leste é reconhecido pelo Governo como parte do Património Cultural Nacional, para que o processo possa prosseguir no futuro”.
O processo prevê a articulação entre diferentes entidades governamentais nas ações de conservação e valorização. O Secretário de Estado explicou que foi constituído um grupo de trabalho interministerial que envolve, entre outras entidades, o Ministério das Obras Públicas, o Ministério do Comércio e Indústria, a Secretaria de Estado dos Assuntos da Toponímia e da Organização Urbana e a Secretaria de Estado das Florestas.
A Paisagem Cultural de Tutuala, no Município de Lautém, inclui sítios arqueológicos e manifestações de arte rupestre cujo estudo e conservação têm sido objeto de trabalho técnico entre as autoridades nacionais e a UNESCO. Jorge Soares Cristóvão destacou, em particular, a necessidade de preservar as pinturas rupestres e de sensibilizar as comunidades para a proteção destes sítios.
Nos dias 16 e 17 de setembro, representantes da Secretaria de Estado da Arte e Cultura, da Comissão Nacional de Timor-Leste para a UNESCO e do Escritório da UNESCO em Jacarta, juntamente com especialistas e membros do grupo de trabalho, analisaram o projeto de Lista Indicativa relativo aos sítios arqueológicos e de arte rupestre de Tutuala. Os trabalhos incluíram a revisão da documentação, a análise do potencial Valor Universal Excecional do património proposto e a preparação da avaliação preliminar necessária para o desenvolvimento de uma eventual candidatura à Lista do Património Mundial.
O Secretário Executivo da Comissão Nacional de Timor-Leste para a UNESCO, Luís Nivio de Fátima Soares, explicou que o reconhecimento nacional constitui uma etapa anterior a uma eventual candidatura internacional. “Hoje declaramos este património como Património Cultural Nacional. No futuro, poderemos avançar com o processo para o seu reconhecimento como Património Mundial, começando pela inscrição na Lista Indicativa da UNESCO, a que se seguirá o respetivo processo de avaliação”, afirmou.
O trabalho de preparação de uma eventual candidatura à Lista do Património Mundial continuará a envolver investigação, documentação técnica, medidas de conservação e gestão e o cumprimento dos procedimentos estabelecidos no âmbito da Convenção do Património Mundial.
Discurso de S. E. o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão
Díli
17 de setembro de 2026