O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, participou, no dia 16 de outubro de 2026, no Centro de Convenções de Díli, nas comemorações do IV Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, onde reafirmou o compromisso do IX Governo Constitucional com a liberdade de imprensa e de expressão e destacou a responsabilidade, a ética profissional e a verificação dos factos como princípios do exercício do jornalismo.

As comemorações deste ano, subordinadas ao tema «Mídia Livre, Demokrasia Metin» (Imprensa Livre, Democracia Sólida), decorreram com a participação da Secretaria de Estado da Comunicação Social, do Conselho de Imprensa e das associações de jornalistas e incluíram exposições, debates, a Marcha da Liberdade e a entrega dos Prémios Nacionais de Jornalismo.
Na sua intervenção, o Chefe do Governo salientou o papel dos órgãos de comunicação social na informação dos cidadãos, no acompanhamento da ação das instituições públicas e na participação na vida democrática.
“O Governo deve aceitar perguntas e críticas baseadas em factos. A crítica construtiva pode ajudar o Governo a melhorar o seu trabalho e a responder às necessidades da população. Ao mesmo tempo, os jornalistas devem também verificar a informação, respeitar a ética profissional e transmitir as notícias com rigor”, afirmou o Primeiro-Ministro.
Xanana Gusmão abordou também as mudanças provocadas pelas tecnologias digitais, pelas redes sociais e pela Inteligência Artificial na forma como a informação é obtida e partilhada. Estas tecnologias criam novas possibilidades para a investigação e análise de dados, mas aumentam também os riscos associados às notícias falsas, aos vídeos manipulados e aos conteúdos produzidos com recurso à Inteligência Artificial para induzir o público em erro.
“Por isso, os jornalistas não devem privilegiar apenas a rapidez, mas devem dar prioridade à credibilidade e à responsabilidade”, afirmou.
O Primeiro-Ministro defendeu que a Inteligência Artificial pode apoiar o trabalho jornalístico, mas não substitui a verificação dos factos nem o julgamento profissional dos jornalistas. Sublinhou igualmente a necessidade de cooperação entre o Governo, a Secretaria de Estado da Comunicação Social, o Conselho de Imprensa, os órgãos de comunicação social, as organizações de jornalistas, as instituições de ensino e a sociedade civil no combate à desinformação.
Neste âmbito, destacou também a responsabilidade das instituições públicas de disponibilizarem informação oficial de forma clara e atempada, sem que o combate à desinformação seja utilizado para limitar a liberdade de expressão ou a crítica à ação governativa.
“As instituições públicas devem garantir o acesso a informação oficial de forma clara e atempada. Contudo, combater as notícias falsas não significa silenciar as pessoas nem limitar as críticas ao Governo”, afirmou.
O Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Loro Dias Ximenes, destacou igualmente, durante as comemorações, a relação entre liberdade e responsabilidade no exercício do jornalismo e defendeu a utilização ética e responsável das novas tecnologias pelos profissionais da comunicação social.
O programa das comemorações teve início no dia 15 de outubro, com a abertura da Feira Liberdade, que reuniu fotografias e documentação sobre o trabalho e o contributo de antigos jornalistas e profissionais da comunicação social durante a luta de libertação nacional. No dia 16, as atividades incluíram debates sobre a segurança dos jornalistas e os desafios da Inteligência Artificial, uma missa na Igreja de Motael, uma homenagem aos jornalistas falecidos, a Marcha da Liberdade e a entrega dos Prémios Nacionais de Jornalismo.
O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa foi instituído pelo Parlamento Nacional em 2022 e é assinalado anualmente a 16 de outubro, data que coincide com a memória dos cinco jornalistas (Greg Shackleton, Tony Stewart, Gary Cunningham, Brian Peters e Malcolm Rennie) mortos em Balibo, a 16 de outubro de 1975.
As comemorações deste ano assinalaram, assim, o quarto Dia Nacional da Liberdade de Imprensa e os 51 anos da morte dos cinco jornalistas em Balibo.