O Ministro dos Assuntos dos Combatentes da Libertação Nacional, Gil da Costa Monteiro “Oan Soru”, participou, no dia 2 de outubro de 2026, no Cemitério de Santa Cruz, em Díli, na cerimónia de lançamento da primeira pedra do Memorial de Sebastião Rangel Gomes, em homenagem ao jovem ligado à Frente Clandestina da Resistência timorense, cuja morte, em outubro de 1991, antecedeu os acontecimentos do Massacre de 12 de Novembro.

O projeto, denominado “Conceção e Construção do Projeto de Preservação Histórica e Memorial de Sebastião Gomes (Santa Cruz)”, é implementado com a participação da Autoridade Municipal de Díli, do Comité 12 de Novembro e do Ministério dos Assuntos dos Combatentes da Libertação Nacional.
A obra, no valor de 93,5 mil dólares americanos, tem conclusão prevista para dezembro de 2026.
O projeto prevê também a trasladação dos restos mortais de Sebastião Gomes da atual sepultura para uma nova localização, junto à entrada do Cemitério de Santa Cruz, após um processo de coordenação entre o Governo, o Comité 12 de Novembro e a família. O Ministro defendeu que esta solução permitirá dar maior visibilidade ao memorial e facilitar a prestação de homenagem a Sebastião Gomes.
Gil da Costa Monteiro agradeceu a cooperação do Comité 12 de Novembro e da família de Sebastião Gomes na procura de uma solução para o projeto e destacou o significado da trasladação dos restos mortais para a preservação da memória dos acontecimentos de 1991.
“Vamos transferir os restos mortais do nosso irmão Sebastião Gomes para este local, junto à entrada de Santa Cruz, como uma forma de valorização que estamos a iniciar, sobretudo em relação ao 12 de Novembro. Estando a sepultura no interior, algumas pessoas podem não conseguir chegar até lá. Aqui, mesmo quem não venha colocar flores poderá passar e prestar homenagem. Isto faz parte da valorização da história da luta de libertação nacional”, afirmou.
Durante a cerimónia, o Ministro destacou também a necessidade de preservar os testemunhos dos participantes na luta de libertação nacional e apelou, em particular, aos sobreviventes do 12 de Novembro para que registem por escrito as suas experiências e a sua participação na resistência.
Gil da Costa Monteiro alertou para o risco de parte desta memória se perder se os testemunhos daqueles que viveram diretamente este período permanecerem apenas na transmissão oral. “Amanhã ou depois, quando já não estivermos aqui, se as pessoas também não puderem ler a nossa história, teremos um grande problema. Por isso, têm de escrever a vossa história, porque escrever é importante”, acrescentou.
O Ministro salientou ainda que o reconhecimento daqueles que morreram durante a luta pela independência não depende da localização ou recuperação dos seus restos mortais. “Independentemente de os restos mortais serem encontrados ou não, temos de valorizar e prestar o nosso reconhecimento àqueles que deram a vida”, declarou.
A cerimónia de lançamento da primeira pedra incluiu um ritual tradicional, conduzido por um representante dos lia-na’in.
O Ministro apelou ainda à empresa responsável pela obra para que cumpra as condições estabelecidas no contrato, nomeadamente quanto ao prazo de execução e à qualidade da construção.
O Memorial de Sebastião Gomes destina-se a preservar a sua memória e a valorizar o seu lugar na história dos acontecimentos que antecederam o Massacre de 12 de Novembro de 1991 e da luta de libertação nacional.