O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, participou, no dia 24 de agosto de 2026, no Centro de Convenções de Díli, na abertura da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento 2026, promovida pela Presidência da República, com o apoio do Governo. A Cimeira reúne laureados com o Prémio Nobel, vencedores do Prémio Turing, cientistas, investigadores, académicos e outros especialistas internacionais para debater o contributo da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento. 
Na sua intervenção na sessão de abertura, o Primeiro-Ministro enquadrou o desenvolvimento como o atual desafio de Timor-Leste, após a luta pela soberania, a construção da paz, o estabelecimento das instituições democráticas e a edificação das bases do Estado. 
“O nosso povo não lutou pela independência apenas para termos a nossa própria bandeira, um hino nacional e um lugar nas Nações Unidas. A independência deve também permitir-nos melhorar a vida do nosso povo”, afirmou Kay Rala Xanana Gusmão. O Primeiro-Ministro salientou ainda a necessidade “de melhores cuidados de saúde e educação, de maior segurança alimentar e de uma agricultura mais produtiva” e “de uma economia capaz de proporcionar emprego e oportunidades aos nossos jovens”. 
O Chefe do Governo afirmou que Timor-Leste prossegue o seu processo de desenvolvimento num período de rápida transformação tecnológica mundial, marcado pelos avanços na inteligência artificial, biotecnologia, computação avançada, medicina e outros domínios científicos.

“Os países que compreenderem estas mudanças e aprenderem a tirar partido delas terão novas oportunidades. Aqueles que não o conseguirem fazer correm o risco de ficar ainda mais para trás. Timor-Leste não se pode dar ao luxo de ficar para trás. É por isso que a ciência é tão importante para o nosso desenvolvimento”, declarou.
O Primeiro-Ministro destacou também o potencial da ciência e das novas tecnologias para ajudar Timor-Leste a responder à escassez de competências especializadas e conhecimentos técnicos. Sublinhou, contudo, que “nada pode substituir o investimento no nosso povo”, defendendo o reforço do ensino científico e técnico e da capacidade das universidades nacionais.
No caso da inteligência artificial, Kay Rala Xanana Gusmão referiu aplicações que poderão facilitar o acesso dos profissionais de saúde a conhecimento médico, apoiar o acesso ao conhecimento através das línguas maternas, disponibilizar informação científica aos agricultores e proporcionar novas ferramentas aos jovens empreendedores.
O Chefe do Governo alertou, simultaneamente, para os riscos associados à evolução destas tecnologias, nomeadamente no domínio das fraudes, da desinformação, da confiança nas instituições públicas e da soberania dos Estados.
“Devemos encarar estas possibilidades com entusiasmo, mas precisamos também de compreender os riscos. A mesma tecnologia que torna o conhecimento mais acessível pode também tornar o engano mais fácil e barato”, afirmou. Acrescentou que “precisamos de compreender o que isto poderá significar para a nossa democracia e para a confiança que as pessoas depositam nas instituições públicas”.
Neste contexto, o Primeiro-Ministro defendeu que o Governo deve dispor dos conhecimentos necessários para avaliar as tecnologias que decide adotar, de modo a aproveitar os seus benefícios e, ao mesmo tempo, proteger o país de novos riscos. “Ao abraçarmos o progresso científico, devemos recordar que a tecnologia é uma ferramenta destinada a melhorar a vida humana, e não a diminuir aquilo que nos torna humanos. Devemos continuar a deixar espaço para a poesia da vida”, afirmou.
Dirigindo-se aos especialistas internacionais presentes na Cimeira, Kay Rala Xanana Gusmão apelou à partilha de conhecimentos e ao contacto com estudantes e investigadores timorenses, para promover uma reflexão conjunta sobre os desafios e as ambições de desenvolvimento nacional.
“Não nos podemos dar ao luxo de ficar à margem desta nova era científica, mas também não devemos entrar nela às cegas. Essa é a próxima etapa da nossa luta para determinarmos o nosso próprio futuro”, concluiu o Primeiro-Ministro, antes de declarar oficialmente aberta a Cimeira Ciência para o Desenvolvimento 2026.
A Cimeira Ciência para o Desenvolvimento 2026, uma iniciativa do Presidente da República, José Ramos-Horta, decorre nos dias 24 e 25 de agosto, no Centro de Convenções de Díli, com painéis e sessões dedicados, entre outros temas, à ciência e ao desenvolvimento, transformação económica, segurança alimentar, saúde e desenvolvimento humano, segurança digital, inteligência artificial e educação científica. O evento decorre em paralelo com a Sci-Tech Expo 2026 e com outras sessões organizadas por universidades, instituições públicas e entidades parceiras.